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segunda-feira, 14 de abril de 2014
Filme: Yves Saint-Laurent
domingo, 13 de abril de 2014
Dica de Cinema!
sábado, 12 de abril de 2014
" Nossos complexos, replicou Freud, são a fonte de nossa fraqueza; mas com freqüência são também a fonte de nossa força. "
Entre as preciosidades encontradas na biblioteca da Sociedade Sigmund Freud está essa entrevista. Foi concedida ao jornalista americano George Sylvester Viereck, em 1926. Deve ter sido publicada na imprensa americana da época. Acreditava-se que estivesse perdida, quando o Boletim da Sigmund Freud Haus publicou uma versão condensada, em 1976. Na verdade, o texto integral havia sido publicado no volume Psychoanalysis and the Fut número especial do “Journal of Psychology”, de Nova Iorque, em 1957. É esse texto que aqui reproduzimos, provavelmente pela primeira vez em português.
Setenta anos ensinaram-me a aceitar a vida com serena humildade.
Quem fala é o professor Sigmund Freud, o grande explorador da alma. O cenário da nossa conversa foi uma casa de verão no Semmering, uma montanha nos Alpes austríacos.
Eu havia visto o pai da psicanálise pela última vez em sua casa modesta na capital austríaca. Os poucos anos entre minha última visita e a atual multiplicaram as rugas na sua fronte. Intensificaram a sua palidez de sábio. Sua face estava tensa, como se sentisse dor. Sua mente estava alerta, seu espírito firme, sua cortesia impecável como sempre, mas um ligeiro impedimento da fala me perturbou.
Parece que um tumor maligno no maxilar superior necessitou ser operado. Desde então Freud usa uma prótese, para ele uma causa de constante irritação.
S. Freud: Detesto o meu maxilar mecânico, porque a luta com o aparelho me consome tanta energia preciosa. Mas prefiro ele a maxilar nenhum. Ainda prefiro a existência à extinção.
Talvez os deuses sejam gentis conosco, tornando a vida mais desagradável à medida que envelhecemos. Por fim, a morte nos parece menos intolerável do que os fardos que carregamos.
Freud se recusa a admitir que o destino lhe reserva algo especial.
- Por quê – disse calmamente – deveria eu esperar um tratamento especial? A velhice, com sua agruras chega para todos. Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas – a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr do sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?
George Sylvester Viereck: O senhor teve a fama, disse que Sua obra influi na literatura de cada país. O homem olha a vida e a si mesmo com outros olhos, por causa do senhor. E recentemente, no seu septuagésimo aniversário, o mundo se uniu para homenageá-lo – com exceção da sua própria Universidade.
S. Freud: Se a Universidade de Viena me demonstrasse reconhecimento, eu ficaria embaraçado. Não há razão em aceitar a mim e a minha obra porque tenho setenta anos. Eu não atribuo importância insensata aos decimais.
A fama chega apenas quando morremos, e francamente, o que vem depois não me interessa. Não aspiro à glória póstuma. Minha modéstia não e virtude.
George Sylvester Viereck: Não significa nada o fato de que o seu nome vai viver?
S. Freud: Absolutamente nada, mesmo que ele viva, o que não e certo. Estou bem mais preocupado com o destino de meus filhos. Espero que suas vidas não venham a ser difíceis. Não posso ajudá-los muito. A guerra praticamente liquidou com minhas posses, o que havia poupado durante a vida. Mas posso me dar por satisfeito. O trabalho é minha fortuna.
Estávamos subindo e descendo uma pequena trilha no jardim da casa. Freud acariciou ternamente um arbusto que florescia.
S. Freud: Estou muito mais interessado neste botão do que no que possa me acontecer depois que estiver morto.
George Sylvester Viereck: Então o senhor é, afinal, um profundo pessimista?
S. Freud: Não, não sou. Não permito que nenhuma reflexão filosófica estrague a minha fruição das coisas simples da vida.
George Sylvester Viereck: O senhor acredita na persistência da personalidade após a morte, de alguma forma que seja?
S. Freud: Não penso nisso. Tudo o que vive perece. Por que deveria o homem construir uma exceção?
George Sylvester Viereck: Gostaria de retornar em alguma forma, de ser resgatado do pó? O senhor não tem, em outras palavras, desejo de imortalidade?
S. Freud: Sinceramente não. Se a gente reconhece os motivos egoístas por trás de conduta humana, não tem o mínimo desejo de voltar a vida, movendo-se num círculo, seria ainda a mesma.
Além disso, mesmo se o eterno retorno das coisas, para usar a expressão de Nietzsche, nos dotasse novamente do nosso invólucro carnal, para que serviria, sem memória? Não haveria elo entre passado e futuro.
Pelo que me toca estou perfeitamente satisfeito em saber que o eterno aborrecimento de viver finalmente passará. Nossa vida é necessariamente uma série de compromissos, uma luta interminável entre o ego e seu ambiente. O desejo de prolongar a vida excessivamente me parece absurdo.
George Sylvester Viereck: Bernard Shaw sustenta que vivemos muito pouco, disse eu. Ele acha que o homem pode prolongar a vida se assim desejar, levando sua vontade a atuar sobre as forças da evolução. Ele crê que a humanidade pode reaver a longevidade dos patriarcas.
- É possível, respondeu Freud, que a morte em si não seja uma necessidade biológica. Talvez morramos porque desejamos morrer.
Assim como amor e ódio por uma pessoa habitam em nosso peito ao mesmo tempo, assim também toda a vida conjuga o desejo de manter-se e o desejo da própria destruição.
Do mesmo modo com um pequeno elástico esticado tende a assumir a forma original, assim também toda a matéria viva, consciente ou inconscientemente, busca readquirir a completa, a absoluta inércia da existência inorgânica. O impulso de vida e o impulso de morte habitam lado a lado dentro de nós.
A Morte é a companheira do Amor. Juntos eles regem o mundo. Isto é o que diz o meu livro: Além do Princípio do Prazer.
No começo, a psicanálise supôs que o Amor tinha toda a importância. Agora sabemos que a Morte é igualmente importante.
Biologicamente, todo ser vivo, não importa quão intensamente a vida queime dentro dele, anseia pelo Nirvana, pela cessação da “febre chamada viver”, anseia pelo seio de Abraão. O desejo pode ser encoberto por digressões. Não obstante, o objetivo derradeiro da vida é a sua própria extinção.
Isto, exclamei, é a filosofia da autodestruição. Ela justifica o auto-extermínio. Levaria logicamente ao suicídio universal imaginado por Eduard von Hartamann.
S.Freud: A humanidade não escolhe o suicídio porque a lei do seu ser desaprova a via direta para o seu fim. A vida tem que completar o seu ciclo de existência. Em todo ser normal, a pulsão de vida é forte o bastante para contrabalançar a pulsão de morte, embora no final resulte mais forte.
Podemos entreter a fantasia de que a Morte nos vem por nossa própria vontade. Seria mais possível que pudéssemos vencer a Morte, não fosse por seu aliado dentro de nós.
Neste sentido acrescentou Freud com um sorriso, pode ser justificado dizer que toda a morte é suicídio disfarçado.
Estava ficando frio no jardim.
Prosseguimos a conversa no gabinete.
Vi uma pilha de manuscritos sobre a mesa, com a caligrafia clara de Freud.
George Sylvester Viereck: Em que o senhor está trabalhando?
S. Freud: Estou escrevendo uma defesa da análise leiga, da psicanálise praticada por leigos. Os doutores querem tornar a análise ilegal para os não médicos. A História, essa velha plagiadora, repete-se após cada descoberta. Os doutores combatem cada nova verdade no começo. Depois procuram monopoliza-la.
George Sylvester Viereck: O senhor teve muito apoio dos leigos?
S. Freud: Alguns dos meus melhores discípulos são leigos.
George Sylvester Viereck: O senhor está praticando muito psicanálise?
S. Freud: Certamente. Neste momento estou trabalhando num caso muito difícil, tentando desatar os conflitos psíquicos de um interessante novo paciente.
Minha filha também é psicanalista, como você vê…
Nesse ponto apareceu Miss Anna Freud acompanhada por seu paciente, um garoto de onze anos, de feições inconfundivelmente anglo-saxonicas.
George Sylvester Viereck: O senhor já analisou a si mesmo?
S. Freud: Certamente. O psicanalista deve constantemente analisar a si mesmo. Analisando a nós mesmos, ficamos mais capacitados a analisar os outros.
O psicanalista é como o bode expiatório dos hebreus. Os outros descarregam seus pecados sobre ele. Ele deve praticar sua arte à perfeição para desvencilhar-se do fardo jogado sobre ele.
George Sylvester Viereck: Minha impressão, observei, é de que a psicanálise desperta em todos que a praticam o espírito da caridade cristão. Nada existe na vida humana que a psicanálise não possa nos fazer compreender. “Tout comprec’est tout pardonner”.
Pelo contrário! – bravejou Freud, suas feições assumindo a severidade de um profeta hebreu. Compreender tudo não é perdoar tudo. A análise nos ensina não apenas o que podemos suportar, mas também o que podemos evitar. Ela nos diz o que deve ser eliminado. A tolerância com o mal não e de maneira alguma um corolário do conhecimento.
Compreendi subitamente porque Freud havia litigado com os seguidores que o haviam abandonado, por que ele não perdoa a sua dissensão do caminho reto da ortodoxia psicanalítica. Seu senso do que é direito é herança dos seus ancestrais. Una herança de que ele se orgulha como se orgulha de sua raça.
Minha língua, ele me explicou, é o alemão. Minha cultura, mina realização é alemã. Eu me considero um intelectual alemão, até perceber o crescimento do preconceito anti-semita na Alemanha e na Áustria. Desde então prefiro me considerar judeu.
Fiquei algo desapontado com esta observação.
Parecia-me que o espírito de Freud deveria habitar nas alturas, além de qualquer preconceito de raças que ele deveria ser imune a qualquer rancor pessoal. No entanto, precisamente a sua indignação, a sua honesta ira, tornava o mais atraente como ser humano.
Aquiles seria intolerável, não fosse por seu calcanhar!,
Fico contente, Herr Professor, de que também o senhor tenha seus complexos, de que também o senhor demonstre que é um mortal!
Nossos complexos, replicou Freud, são a fonte de nossa fraqueza; mas com freqüência são também a fonte de nossa força.
Fonte: http://www.freudiana.com.br/destaques-home/entrevista-com-freud.html
sexta-feira, 11 de abril de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
Sugestão de leitura.
"O livro é resultado de uma seleção de 20 títulos, dentre os filmes analisados no Fórum de Psicanálise e Cinema, projeto de extensão da UNIRIO apresentado há sete anos. A força da linguagem cinematográfica favorece a aproximação com o contexto psicanalítico. O cinema cria sua própria dicção, enquanto a psicanálise estimula a plenitude da verbalização, como um caminho para expressar conflitos e traumas que impedem a plena compreensão da realidade interna.
Para os autores, o vínculo entre a Psicanálise e o Cinema se fortalece com a triangulação obtida com a Museologia, em sua contribuição com a memória social, suporte às identidades e reforço à noção de pertencimento. Se a Psicanálise se insere na vida intelectual, afetiva e mental das pessoas, possibilitando o entendimento de conflitos, neuroses e psicoses, o Cinema, nas palavras do mestre espanhol Luis Buñuel (1982), “é o melhor instrumento para exprimir o mundo do sonho, da emoção e do instinto”.
sexta-feira, 21 de março de 2014
Debate imperdível, esse filme é maravilhoso!!
| Cinema e Psicanálise - Cerejeiras em Flor |
| Escrito por Equipe SPB |
| Qui, 13 de Março de 2014 15:38 |
“Cinema e Psicanálise” promove debate do filmeCerejeiras em Flor
A Sociedade de Psicanálise de Brasília e o Centro Universitário de Brasília (UniCeub) convidam para a projeção e debate do filme Hanami: Cerejeiras em Flor (Kirschbluten – Hanami, 2008), de Doris Dorrie, no dia 22 de março (sábado), às 15h, no auditório 3 do UniCeub, Bloco 3. O debate, terá coordenação do psicanalista Luciano Lírio (SPBsb), e como debatedores a museóloga Ana Lúcia Siaines de Castro e o psicanalista Neilton Dias da Silva. Após a discussão sobre o filme, Ana Lúcia e Neilton lançarão o livro Fórum de Psicanálise e Cinema, de sua autoria conjunta (leia release abaixo). A entrada é franca, mediante inscrição antecipada no portal www.uniceub.br – Congressos e eventos. Mais informações na Sociedade de Psicanálise de Brasília: 61 3248 2309 -www.spbsb.org.br
Cinema e Psicanálise: Projeção e debate do filme Hanami:Cerejeiras em Flor, seguido do lançamento do livro Fórum de Psicanálise e Cinema Debatedores: Ana Lúcia Siaines de Castro, museóloga – UNIRIO e Neilton Dias da Silva, membro da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro – SPRJ Coordenação: Luciano Lírio, membro da Sociedade de Psicanálise de Brasília – SPBsb Data e hora: 22 de março, sábado, às 15h LocaL: Centro Universitário de Brasília – UniCEUB (SEPN 707/907, Asa Norte), Auditório 3 – Elza Moreira Lopes, Bloco 3. Entrada franca. Inscrição antecipada no portal www.uniceub.br– Congressos e eventos. Sobre o filme: Trudi sabe que seu marido Rudi está sofrendo de uma doença terminal e o convence a fazer uma última viagem ao Japão, na época do festival das cerejeiras. Ficha Técnica: Título Original: Kirschbluten – Hanami. Origem: Alemanha / França, 2008. Roteiro e Direção: Doris Dorrie. Fotografia: Hanno Lentz. Música: Claus Bantzer. Elenco: Elmar Wepper, Hannelore Elsner, Aya Irizuki, Maximilian Brückner, Nadja Uhl, Birgit Minichmayr, Felix Eitner, Floriane Daniel, Celine Tanneberger, Robert Döhlert, Tadashi Endo, Sarah Camp, Gerhard Wittmann e Veith von Fürstenberg.
Perfil dos autores do livro Fórum de Psicanálise e Cinema:
Neilton Dias da Silva: médico, psiquiatra, psicanalista, membro da Sociedade Brasileira de Psicanálise do Rio de Janeiro (SBPRJ) e full member of the International Psychoanalytical Association (IPA). Psicanalista de Criança e de Adolescente e didata da SBPRJ. Docente do Curso de Psicologia e fundador do Centro de Orientação Psicopedagógica (COPP), da PUC-Rio. Fundador e ex-presidente da Associação Psicanalítica RIO-3 (APRIO-3). Palestrante de congressos e seminários nacionais e internacionais, com diversos trabalhos publicados em livros e revistas da área, atua como diretor do Fórum de Psicanálise e Cinema, em atividade desde 1997, com mais de 90 filmes analisados e debatidos, sempre com enorme afluência de público. Ana Lúcia Siaines de Castro: museóloga formada pelo Museu Histórico Nacional (atual UNIRIO), mestre e doutora em Ciência da Informação pela UFRJ. Foi diretora do Museu da Imagem e do Som. Professora adjunta da Escola de Museologia, na UNIRIO, na graduação e pós-graduação, participando de bancas de concursos públicos. Ao obter os prêmios da FAPERJ, publicou suas teses pela Editora Revan: em 2007: “Memórias clandestinas e sua museificação” e, em 2009, “O museu do sagrado ao segredo”. Com vários artigos publicados, estende suas pesquisas na área de Museologia, Informação, Cultura e Comunicação. Em 2012 foi agraciada com a Medalha 80 Anos da Escola de Museologia e homenageada com placa pela Pró-Reitoria de Extensão e Cultura (PROExC) pelos projetos sob sua coordenação, como o Fórum de Psicanálise e Cinema, no qual atua como pesquisadora, debatedora e divulgadora.
Release do livro: Este livro objetiva instigar o leitor sobre os filmes analisados, despertando sua curiosidade para assisti-los, ler o conteúdo desta publicação e relacionar as duas experiências. Entre mais de 80 títulos, para este livro, os autores optaram por aqueles que poderiam render mais trocas estimulantes em suas apresentações, oferecendo rara oportunidade de pensar sobre um bom filme e suas relações com a vida de cada um. As apreciações estruturais e as análises psicanalíticas feitas através dos filmes selecionados não se constituem em críticas cinematográficas. São tão somente abrangências culturais e de desvendamentos psicológicos, a partir da trama, dos contextos dos personagens e de suas motivações emocionais, privilegiando as demandas culturais e psicossociais integradas à perspectiva psicanalítica. Para os autores, o livro é resultado de uma seleção de 20 títulos, dentre os filmes analisados no FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA, projeto de extensão da UNIRIO apresentado há sete anos. A força da linguagem cinematográfica favorece a aproximação com o contexto psicanalítico. Instaura-se uma dimensão de verdade, pois o cinema cria sua própria dicção, e até reconstrói valores e identificações, enquanto a psicanálise estimula a plenitude da verbalização, como um caminho para expressar conflitos, entraves e traumas que impedem a plena compreensão da realidade interna. O vínculo percebido entre a Psicanálise e o Cinema se fortalece com a triangulação obtida com a Museologia, em sua possibilidade cultural e social, de contribuir com a memória social, como suporte às identidades e, sobretudo, como reforço à noção de pertencimento. Se a Psicanálise se insere na vida intelectual, afetiva e mental das pessoas, possibilitando o entendimento de conflitos, neuroses e psicoses, o Cinema, nas palavras do mestre espanhol Luis Buñuel (1982), “é o melhor instrumento para exprimir o mundo do sonho, da emoção e do instinto”.
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| Última atualização em Qui, 13 de Março de 2014 15:47 |





